Busca
 

 
 
 
 
 


 
 
 


English version

I.  Etimologia das palavras

É um estudo que busca a origem.


II. Gênesis das palavras

Estudo da História das palavras

 

III. Semiologia das palavras

Estudo da ciência dos signos e das leis que o regem a estrutura lexicográfica.

I.  Etimologia das palavras

É um estudo que busca a origem.

 

 

 

II. Gênesis das palavras


É um estudo que busca encontrar a história das palavras, além do seu sentido simbólico desde seus primeiros registros lingüísticos.

Fonte de pesquisa: Bíblia Sagrada, Dicionário de Símbolos, História dos Mitos, Kabala, Dicionário de Religião entre outros.

 

MUNDO:

          A palavra Mundo tem várias representações simbólicas e de múltiplo sentido semântico. Porém vamos nos ater a alguns traços pertinentes contidos na palavra para estudo e averiguação do fenômeno e do magnetismo que possa exercer função sobre a palavra. “A própria palavra utilizada para designar o <<mundo>> costuma basear-se na sua estrutura espaço-temporal: o termo sânscrito maya, referente à incontrolável proliferação de formas que povoam o Universo, possui a conotação de <<medida>>; a palavra grega kosmos, no início, aplicada à ordem política, militar e cerimonial, referiu-se depois ao Universo, seguramente graças à utilização que Pitágoras fez dela.”

                        Vimos que a força da palavra vai se desdobrar em vários sentidos, a partir da criação do mundo escrita no livro do gênesis, cap. 1 em diante, da Bíblia Sagrada. O simbolismo da construção ganha espaço fundamental em todas as literaturas, quer de origem científica, quer de origem simbólica.  A palavra mundo ganha caracterizações diversas: entre ritos e mitos, vai além do imaginário com belas lendas que irão povoar de simbolismos a história real e fictícia da criação do mundo. Segundo David Maclagan ao escrever sobre o processo da criação refere-se dizendo:

                        “Na maioria dos mitos da criação, que fazem referência expressa aos elementos, estes limitam-se a fazer o seu aparecimento, a materializarem-se por si mesmos. Mas os mitos que relatam a origem do mundo nestes termos extremamente impessoais são uma minoria: a maioria, pelo contrário, centra-se no agente ou no ato da criação. Quando o personagem Fausto de Goethe tenta traduzir o início do evangelho de São João, decide-se pela fórmula <<no princípio existiu o ato>>.  E, no entanto, um mago como Fausto deveria saber que entre todas as ações que permitem levar a cabo a criação (moldar, plantar, tecer ou talhar, entre outras) há uma que predomina sobre todas as outras: a palavra, o verbo.

                        A palavra  MUNDO nos remete à linguagem e continua (Maclagan, 1977): “a palavra, a linguagem, encontra-se entre o ato e o pensamento que não pode exprimir-se por palavras.  A linguagem é um manto esfarrapado no qual se envolve o mundo e, no entanto, os homens consideram muitas vezes que a sua linguagem é reflexo (e inclusive reprodução) de outra articulação ainda mais essencial: o mundo como texto de manifestação divina.”

                          O texto a seguir vai mostrar os vários métodos de linguagens simbólicas segundo (Davs, dic. De símbolos): “O simbolismo do mundo com os seus três níveis: celeste – terrestre – infernal, corresponde a três níveis da existência ou a três modos da atividade espiritual. A vida interior é assim projetada no espaço, seguindo o processo geral de formação de mitos.

                        Esses mundos  situados em, espaços imaginários definem-se uns em relação aos outros: o mundo de baixo sob o mundo de cima, passando pelo mundo intermediário.  Apenas essa linguagem e essa localização segundo um eixo vertical bastam para inscrever tais mundos em movimento e uma dialética de ascensão, que acentuam sua significação psíquica e espiritual.

                        O mundo de baixo é uma expressão que significa movimento, fluxo e refluxo, repetição e ciclos. (...) esse movimento pode se tornar um agente precioso na ordem do aperfeiçoamento e da metamorfose do homem.  O progresso do homem depende desse  contínuo movimento que é a sua lei própria em que se transforma para ele em um bem.  O mundo de baixo é símbolo do movimento e o mundo de cima simboliza a imóvel eternidade”.  

                        O Mundo da carta do Tarô ou em a Coroa dos magos exprime a recompensa, o coroamento da obra, a obtenção dos esforços, a elevação, o sucesso, a iluminação, o reconhecimento público e os eventos imprevistos benéficos.  (...)  Simboliza o desabrochar da evolução, síntese suprema: (...) corresponde ao conjunto daquilo que é manifestado, portanto, ao mundo, resultado da ação criadora permanente.

                        Mundo = Mandala: o conjunto verbal dessas duas palavras correspondem a uma igual estrutura circular, obedecendo literalmente, a lei do movimento dos fluxos de energia.

                        Síntese: o movimento desse fluxo de energia simboliza o valor supremo de toda a ação e o objetivo de toda evolução.  “(...)  O movimento gerador das coisas...  O mundo é um turbilhão, uma dança perpétua onde nada pára.  (WIRT, 248).”

   

VERDE:

                            Situado entre o azul e o amarelo, o verde é o resultado de suas interferências cromáticas.  Mas entra com o vermelho, num jogo simbólico de alternâncias.

                        O verde é a cor do reino vegetal se afirmando, graças às águas regeneradoras e lustrais nas quais o batismo tem todo seu significado simbólico.  O verde é o despertar das águas primordiais, o verde  é o despertar da vida.  Vixenu, que carrega o mundo, é representado sob a forma de uma tartaruga de cara verde e, segundo Fulcanelli, o corpo da deusa indiana da matéria filosofal,  que nasce do mar de leite, é verde, assim como a Vênus de Fídias.  Winkermann escreve que “se a figura de Netuno tivesse chegado até nós em pintura, ele teria uma roupa verde-mar ou verde-claro, como eram pintadas as Nereidas; enfim, tudo o que fosse relacionado aos deuses marinhos (...).  É por isso que os poetas imaginam os rios com cabelos dessa cor.  Em geral, nas pinturas antigas, as ninfas – cujo nome vem da água, Nymphi, Lympha – também aparecem vestidas de água (PORS, 206-7).

                        A cor verde simboliza o número quatro e portanto, significa também os quatro pilares sobre os quais Maomé construiu sua igreja.  Diante dessa afirmação, somos levados a concluir que estamos diante de uma mostra de sustentação simbólica: verde então representa a estabilidade, a segurança da construção.  Os quatro pilares é uma forma matemática de demonstração simétrica da sustentação, (equilíbrio).  

                        Portanto, o verde é benéfico, o verde, reveste-se de um valor mítico, “o das  green pastures,   dos paraísos verdes dos amores infantis: também verde, como a juventude do mundo, é a juventude eterna prometida  aos Eleitos. A verde Erin, antes de formar-se o nome de Irlanda, era o da ilha dos bem-aventurados do mundo celta.

                        O verde é a cor da água assim como vermelho é a cor do fogo, e é por essa razão que o homem sempre sentiu, instintivamente, que as relações entre essas duas cores são análogas às de sua essência e existência.  Para justificar uma ligação semântica e simbólica vejamos o quadro representativo das palavras VERDE e VERMELHO e sua analogia entre SANGUE e SEIVA, entre a NATUREZA e o HOMEM.

A cor da Natureza, o homem e a relação com seus opostos:

 

(A Água e o Fogo)

(relação íntima)

(função clorofiliana)

 

Signo Verde

                        O verde contrário do vermelho assim como a água é o contrário do fogo.

                        A árvore vegetal  é filha da luz – criança evoluída do Sol assimila oxigênio

                        Através de suas folhas (voltada para fora) em direção ao céu.

 

Signo Vermelho  

HOMEM – é uma árvore ao contrário da árvore vegetal – voltada para dentro – fazendo as mesmas funções através dos pulmões com sua rede de brônquios, bronquíolos e alvéolos pulmonares, representa uma árvore só que invertida.

A palavra ADÃO significa vermelho (princípio da vida), portanto, homem e a natureza se complementam.

A relação das cores complementares entre o verde e o vermelho revelam em seu léxico que as duas palavras possuem os mesmos radicais (verde/vermelho) (sangue e seiva). Veja exemplo:

   

 (Verde) e (vermelho)   =   (sangue e seiva)

                                        ( ver )          (ver)

 

Verde – é a cor da água consagrada a Vênus Afrodite personificação da Natureza (Mãe criadora) Nutridora.

Vermelho – do sangue, o alimento da vida humana, portanto também nutrix

Verde – é a cor do chacra cardíaco, fluxo de energia, lugar das emoções.  Assim, concluímos que  as cores verde e vermelho se complementam.

 

III. Semiologia das palavras

É um estudo da ciência dos signos, de sua vida, das leis que o regem.  Estudos das palavras como sinais em função das idéias que simbolizam.

  ·         Análise das funções das palavras MUNDO VERDE:

A história das duas palavras apresentadas nos textos acima, têm da ciência o respaldo científico, portanto não são meras coincidências.  Existe de fato uma relação estreita entre os símbolos, a semiótica e as estruturas lingüísticas.  As duas palavras guardam entre elas uma perfeita fusão, num grau de profunda relação: psicológicas, científica, religiosa, mítica e mística.

                        A função da palavra mundo revela um movimento permanente e circular, de criação e renovação constante.

                          A função da palavra  verde revela energia em movimento, tal como a seiva e o  sangue.  Portanto a combinação semântica e os elos de ligação simbólicos estão em perfeita harmonia.

                          A função de dupla ação: MUNDO VERDE – é representada por uma dupla articulação, duas palavras extremamente fortes e, estão por assim dizer, destinadas a toda sorte e sucesso absoluto e em movimento contínuo.

Fonte : Vannda Santana - Professora Universitária, Pesquisadora em Símbolos e Semiótica, Psicopedagoga e Arteterapeuta.


Voltar