Preservar o verde antes de neutralizar o carbono
Postado por: Mundo Verde em 17 de Março de 2010
Qualquer um de vocês que já participou de um evento de pequeno, médio ou grande porte deve ter parado para pensar no destino final de todo aquele material utilizado durante o processo, desde a montagem de stands até impressão de fichas, pastas, cartazes, crachás, folhetos, etc.
O mercado de eventos e grandes produções é crescente em todo o país, mas especialmente na região sudeste, onde as capitais acumulam números impressionantes de feiras, encontros de diversos setores e com variados objetivos.
Uma tendência crescente nesse mercado de eventos é a preocupação com o desenvolvimento de ações sustentáveis e a busca por maneiras de minimizar os impactos causados pelas feiras, exposições, shows e simpósios que ocorrem diariamente.
A sustentabilidade ganhou tanto destaque que a tendência para produzir eventos verdes levou a uma onda em busca de ações pela neutralização das emissões de carbono.
Essa neutralização se dá por meio do plantio de árvores em uma quantidade proporcional à quantidade dos gases de efeito estufa produzidos pelo evento. Assim, quanto maior o evento, maior o número de árvores a serem plantadas para captar CO2 e armazená-lo em forma de biomassa (nos galhos, folhas, frutos etc.), retirando os gases da atmosfera.
De acordo com dados na ONG Iniciativa Verde, que realiza projetos de neutralização de carbono, uma árvore da Mata Atlântica absorve, em média, 180 quilos de CO2, em 37 anos decrescimento.

No Brasil já existem empresas especializadas na neutralização do carbono por meio do plantio de árvores
Mas diversos setores da sociedade, especialmente ONGs e instituições que trabalham pelo desenvolvimento sustentável, como o Instituto Akatu, alertam que não basta a boa intenção da neutralização para compensar os impactos ambientais de um grande evento.
Há um grande desequilíbrio de tempo, já que as árvores levam décadas para absorver os gases que o evento libera em horas ou dias, assim como há o risco de as árvores não sobreviverem o tempo necessário para completar o ciclo.
A preocupação maior deve ser, portanto, em busca de maneiras de diminuir os impactos e as emissões de carbono. E cabe a você, cidadão e consumidor, ser o juiz dessa luta verde.
Preservar, reduzir, reutilizar e reciclar são palavras que devem vir acompanhadas dos projetos de eventos que queiram fazer sua parte pelo planeta. Antes de compensar os impactos causados, é mais interessante evitar que eles cheguem a causar grandes prejuízos ao planeta. A intenção deve ser sempre pelas medidas preventivas e não simplesmente uma forma de reduzir os estragos já feitos.
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