I. Etimologia das palavras
É um estudo que busca a origem.
| Fonte de pesquisa |
Pesquisa: Mundo |
Pesquisa: Verde |
|
Dicionário Onomástico e Etimológio
Lingua Portuguesa - José Pedro Machado
• Editorial Confluência - II
|
>> Mundo = Do latim Mundu-, do Adj. mundus )limpu,puu) p.1033
|
>> Verde = apel (tel.: de n. 5 • x • 1977, p12) ant. alc. Do adj Verde. (...)
|
|
Dicionário Grego Português e Português
Grego - (Isidoro Pereira, S.J.), 1990. - 7º
Edição - Livraria Apostolado da imprensa
Braga - Codex
|
>> Mundo = do grupo = s.m // o universso,
Okom,
ou, s.n; Wolor
ou, s.m // terra, g.gr (...),
s.f.// vi ao m., kikmslai// mundo segundo
a escritura, wahaqsr, ou s.m
Mundo, adj., limpo Wahaqsr, áa, sm
|
>> Verde = adj. // de cor verde
wkyqsr, a, sm //
não maduro, ylsr
|
| Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa - Ed Nova Fronteira 1986 |
>> Mundo = (Do latim Mundu) s.n. 1. A terra e os astros, considerados como um todo organizado; universo: Deus criou o Mundo em 7 dias. 2. Qualquer corpo celeste: Haverá vida em outros mundos? 3. O Globo terrestre; a Terra, o Orbe, o Planeta. |
>> Verde = (é). ( do latim viride (q.v.) ). Adj 2g 1. Da cor mais comum nas ervas e nas folhas das árvores; da cor de esmeralda. |
II. Gênesis das palavras
É um estudo que busca encontrar a história das palavras, além do seu sentido simbólico desde seus primeiros registros lingüísticos.
Fonte de pesquisa: Bíblia Sagrada, Dicionário de Símbolos, História dos Mitos, Kabala, Dicionário de Religião entre outros.
MUNDO:
A palavra
Mundo tem várias representações simbólicas e de múltiplo sentido semântico. Porém vamos nos ater a alguns traços pertinentes contidos na palavra para estudo e averiguação do fenômeno e do magnetismo que possa exercer função sobre a palavra.
"A própria palavra utilizada para designar o <<
mundo>>
costuma basear-se na sua estrutura espaço-temporal: o termo sânscrito maya, referente à incontrolável proliferação de formas que povoam o Universo, possui a conotação de <<
medida>>
; a palavra grega kosmos, no início, aplicada à ordem política, militar e cerimonial, referiu-se depois ao Universo, seguramente graças à utilização que Pitágoras fez dela."
Vimos que a força da palavra vai se desdobrar em vários sentidos, a partir da criação do mundo escrita no livro do gênesis, cap. 1 em diante, da Bíblia Sagrada. O simbolismo da construção ganha espaço fundamental em todas as literaturas, quer de origem científica, quer de origem simbólica. A palavra
mundo ganha caracterizações diversas: entre ritos e mitos, vai além do imaginário com belas lendas que irão povoar de simbolismos a história real e fictícia da criação do mundo. Segundo David Maclagan ao escrever sobre o processo da criação refere-se dizendo:
"Na maioria dos mitos da criação, que fazem referência expressa aos elementos, estes limitam-se a fazer o seu aparecimento, a materializarem-se por si mesmos. Mas os mitos que relatam a origem do mundo nestes termos extremamente impessoais são uma minoria: a maioria, pelo contrário, centra-se no agente ou no ato da criação. Quando o personagem Fausto de Goethe tenta traduzir o início do evangelho de São João, decide-se pela fórmula <<no princípio existiu o ato>>. E, no entanto, um mago como Fausto deveria saber que entre todas as ações que permitem levar a cabo a criação (moldar, plantar, tecer ou talhar, entre outras) há uma que predomina sobre todas as outras: a palavra, o verbo.
A palavra
MUNDO nos remete à linguagem e continua (Maclagan, 1977): "a palavra, a linguagem, encontra-se entre o ato e o pensamento que não pode
exprimir-se por palavras. A linguagem é um manto esfarrapado no qual se envolve o mundo e, no entanto, os homens consideram muitas vezes que a sua linguagem é reflexo (e inclusive reprodução) de outra articulação ainda mais essencial: o mundo como texto de manifestação divina."
O texto a seguir vai mostrar os vários métodos de linguagens simbólicas segundo (Davs, dic. De símbolos): "O simbolismo do mundo com os seus três níveis: celeste - terrestre - infernal, corresponde a três níveis da existência ou a três modos da atividade espiritual. A vida interior é assim projetada no espaço, seguindo o processo geral de formação de mitos.
Esses
mundos situados em, espaços imaginários definem-se uns em relação aos outros: o mundo de baixo sob o mundo de cima, passando pelo mundo intermediário. Apenas essa linguagem e essa localização segundo um eixo vertical bastam para inscrever tais mundos em movimento e uma dialética de ascensão, que acentuam sua significação psíquica e espiritual.
O mundo de baixo é uma expressão que significa movimento, fluxo e refluxo, repetição e ciclos. (...) esse movimento pode se tornar um agente precioso na ordem do aperfeiçoamento e da metamorfose do homem. O progresso do homem depende desse
contínuo movimento que é a sua lei própria em que se transforma para ele em um bem. O mundo de baixo é símbolo do movimento e o mundo de cima simboliza a imóvel eternidade".
O Mundo da carta do Tarô ou em a Coroa dos magos exprime a recompensa, o coroamento da obra, a obtenção dos esforços, a elevação, o sucesso, a iluminação, o
reconhecimento público e os eventos imprevistos benéficos. (...) Simboliza o desabrochar da evolução, síntese suprema: (...) corresponde ao conjunto daquilo que é manifestado, portanto, ao mundo, resultado da ação criadora permanente.
Mundo = Mandala: o conjunto verbal dessas duas palavras correspondem a uma
igual estrutura circular, obedecendo literalmente, a lei do movimento dos fluxos de energia.
Síntese: o movimento desse fluxo de energia simboliza o valor supremo de toda a ação e o objetivo de toda evolução. "(...)
O movimento gerador das coisas... O mundo é um turbilhão, uma dança perpétua onde nada pára. (WIRT, 248)."
VERDE:
Situado entre o azul e o amarelo, o
verde é o resultado de suas
interferências cromáticas. Mas
entra com o vermelho, num jogo simbólico de alternâncias.
O
verde é a cor do reino vegetal se afirmando, graças às águas regeneradoras e lustrais nas quais o batismo tem todo seu significado simbólico. O
verde é o despertar das águas primordiais, o
verde é o despertar da vida.
Vixenu, que carrega o mundo, é representado sob a forma de uma tartaruga de cara verde e, segundo Fulcanelli, o corpo da deusa indiana da
matéria filosofal, que nasce do mar de leite, é verde, assim como a Vênus de Fídias. Winkermann escreve que "
se a figura de Netuno tivesse chegado até nós em pintura, ele teria uma roupa verde-mar ou verde-claro, como eram pintadas as Nereidas; enfim, tudo o que fosse relacionado aos deuses marinhos (...). É por isso que os poetas imaginam os rios com cabelos dessa cor. Em geral, nas pinturas antigas, as ninfas - cujo nome vem da água, Nymphi, Lympha - também aparecem vestidas de água (PORS, 206-7).
A cor
verde simboliza o número quatro e portanto, significa também os quatro pilares sobre os quais Maomé construiu sua igreja. Diante dessa afirmação, somos levados a concluir que estamos diante de uma mostra de sustentação simbólica: verde então representa a estabilidade, a segurança da construção. Os quatro pilares é uma forma matemática de demonstração simétrica da sustentação, (equilíbrio).
Portanto, o verde é benéfico, o
verde, reveste-se de um valor mítico, "o das
green pastures, dos paraísos verdes dos amores infantis: também verde, como a juventude do mundo, é a juventude eterna prometida aos Eleitos. A verde Erin, antes de formar-se o nome de Irlanda, era o da ilha dos bem-aventurados do mundo celta.
O
verde é a cor da água assim como vermelho é a cor do fogo, e é por essa razão que o homem sempre sentiu, instintivamente, que as relações entre essas duas cores são análogas às de sua essência e existência. Para justificar uma ligação semântica e simbólica vejamos o quadro representativo das palavras VERDE e VERMELHO e sua analogia entre SANGUE e SEIVA, entre a NATUREZA e o HOMEM.
A cor da Natureza, o homem e a relação com seus opostos:
(A Água e o Fogo)
(relação íntima)
(função clorofiliana)
Signo Verde
O verde contrário do vermelho assim como a água é o contrário do fogo.
A
árvore vegetal é filha da luz - criança evoluída do Sol assimila oxigênio
Através de suas folhas (voltada para fora) em direção ao céu.
Signo Vermelho
HOMEM - é uma árvore ao contrário da árvore vegetal -
voltada para dentro - fazendo as mesmas funções através dos pulmões com sua rede de brônquios, bronquíolos e alvéolos pulmonares, representa uma árvore só que invertida.
A palavra
ADÃO significa vermelho (princípio da vida), portanto, homem e a natureza se complementam.
A relação das cores complementares entre o verde e o vermelho revelam em seu léxico que as duas palavras possuem os mesmos radicais (verde/vermelho) (sangue e seiva). Veja exemplo:
(Verde) e (vermelho) = (sangue e seiva)
( ver ) (ver)
Verde - é a cor da água consagrada a Vênus Afrodite personificação da Natureza (Mãe criadora) Nutridora.
Vermelho - do sangue, o alimento da vida humana, portanto também nutrix
Verde - é a cor do chacra cardíaco, fluxo de energia, lugar das emoções. Assim, concluímos que as cores verde e vermelho se complementam.
III. Semiologia das palavras
É um estudo da ciência dos signos, de sua vida, das leis que o regem. Estudos das palavras como sinais em função das idéias que simbolizam.
• Análise das funções das palavras MUNDO VERDE:
A história das duas palavras apresentadas nos textos acima, têm da ciência o respaldo científico, portanto não são meras coincidências. Existe de fato uma relação estreita entre os símbolos, a semiótica e as estruturas lingüísticas. As duas palavras guardam entre elas uma perfeita fusão, num grau de profunda relação: psicológicas, científica, religiosa, mítica e mística.
A função da palavra
mundo revela um movimento permanente e circular, de criação e renovação constante.
A função da palavra
verde revela energia em movimento, tal como a seiva e o sangue. Portanto a combinação semântica e os elos de ligação simbólicos estão em perfeita harmonia.
A função de dupla ação: MUNDO VERDE - é representada por uma dupla articulação, duas palavras extremamente fortes e, estão por assim dizer, destinadas a toda sorte e sucesso absoluto e em movimento contínuo.
Fonte : Vannda Santana - Professora Universitária, Pesquisadora em Símbolos e Semiótica, Psicopedagoga e Arteterapeuta.