Saúde

CRIANÇA FELIZ, NUTRIDA COM AMOR



Amor de mãe traduzido em alimento é antigo como a própria humanidade. Bem ali, no abrigo do útero materno, a criança já fica sabendo desta verdade. E nem precisa pedir para receber os nutrientes tão necessários. Quando vem ao mundo, o recém-nascido, segue instintivo, o caminho do seio, que já está preparado para recebê-lo, e com requintes!

Se o bebê é prematuro, os cientistas observaram que o leite oferecido pelo seio materno contém mais proteínas, suprindo justamente a carência da criança. Mas não é só isso. O leite materno vem na medida das necessidades do bebê. Por exemplo, ele tem menos moléculas de sal e, com isso, ajuda no bom funcionamento dos rins, que ainda são muito delicados. O colostro é um laxante suave e ajuda o intestino da criança a trabalhar. Mas não é só esse seu benefício: o colostro, carregado de imunoglobinas A, transforma o leite numa vacina, que vai proteger o organismo indefeso contra invasores, como vírus e bactérias.

Tal amor continua se revelando em todas as fases da vida. Que mãe não se esforça para oferecer ao filho o melhor alimento? Que mãe não se sente culpada ao comprar o salgadinho suspeito que toda criança adora? Que mãe não se preocupa quando o filho cisma em rejeitar legumes, verduras e os integrais, sabidamente necessários para o seu bom desenvolvimento?

Sua Senhoria, o Paladar

E, às vezes, é difícil, convenhamos. A partir dos seis meses, os médicos já orientam para que novos alimentos sejam oferecidos aos pequenos descobridores. Essa é uma hora importante porque, como muitas coisas em nossas vidas, a alimentação é muito dependente de hábitos e é aí, desde pequeninos, que os hábitos irão se formar. Paciência é uma palavra-chave neste caso.

Nesse período inicial, a criança está mais propensa ao doce. Este é um sabor que ela conhece do útero. Os pesquisadores dizem que é essa uma característica do líquido amniótico. O leite materno também tem um sabor suave. Exposta a esses sabores, a criança tende a desenvolver sua habilidade para percebê-los ao longo da vida. No caminho para formar o paladar, as vias mais usadas serão reforçadas. Se os receptores para o amargo e ácido, por exemplo, forem pouco utilizados, se desenvolverão menos. Mas, nessa fase, é muito comum a criança rejeitar as variações. É preciso ir aos poucos e voltar a oferecer este ou aquele sabor depois de um tempo. Nunca decretar, tão cedo, que o filho não gosta disso, não come aquilo. O tempo, neste caso, é um aliado.


Diga-me com quem andas...

E por falar em hábitos... Quais são os seus? Sabe-se que as crianças são resistentes a novidades, mas, se elas veem seus pais comendo frutas, verduras, legumes, os grãos e cereias com prazer, elas tendem a se tornar mais flexíveis, experimentar e acrescentar novos paladares ao seu repertório. Faça o que eu digo, não faça o que eu faço - é um lema para o fracasso na educação alimentar de um filho.

E a escola também é importante. As crianças realmente serão influenciadas pelo que os amigos comem. Se a escola oferece o lanche, procure saber se são incluídos itens saudáveis, se há variedade, se de vez em quando são oferecidos sabores novos. Se é você que providencia, lembre-se de pesquisar os rótulos dos produtos e procurar alternativas orgânicas, com limites em relação as gorduras e o sal. Biscoitos integrais, frutas frescas, barras de cereais são opções que devem ser consideradas. Alterne. Varie tanto quanto possível.


Cientistas na cozinha

Ser criativo também é uma boa dica. Comer é uma arte, uma ciência. O paladar é um sentido bastante exercitado, mas há segredos que podem ajudá-la a provocar a criança mais difícil. Já sabemos que há pouca dificuldade para fazê-los comer doces ou frituras - e que todos os dois devem ser controlados, bem controlados. Mas é possível usar a ciência a seu favor. Saiba que, para ser saboroso, o alimento deve ser composto de partículas voláteis (que evaporam), para que espalhem o aroma por nossas vias olfativas.

Filho gripado perde o apetite. O olfato é fator importante. Se o alimento é pobre em compostos voláteis e muito rico em água - o que é uma "descrição" científica do chuchu - ele praticamente não tem gosto. E é aí que entra a sua criatividade ao usar os temperos e ao combinar alimentos e fazer com que os aromas os tornem irresistíveis. E a temperatura também vai ser uma aliada nesse caso. Saber exatamente o ponto de calor que faz desabrochar do prato o melhor dos aromas.

O paladar é diretamente sugestionado pela cor. As cores vibrantes (vermelho, laranja, amarelo) despertam e estimulam nosso paladar. Já cores como azul, verde, marrom e preto são consideradas menos estimulantes. O que não quer dizer que não se possa usá-las. Um prato convidativo pode se parecer com uma bela pintura. O senso estético não anda desligado do paladar. E há ainda a textura. O crocante ou o macio na medida certa. Se cozido demais, geralmente, o alimento deixa de ser tão atraente.

Comer, comer... na medida certa

Tudo tão saboroso e convidativo! Mas é hora de falar de coisas chatas. Cuidar para que nossas crianças tenham uma alimentação saudável e rica é hoje uma preocupação necessária. Maus hábitos alimentares, aliados a hábitos sedentários - muita televisão, videogame, computador e poucas caminhadas e esportes ao ar livre -, nos colocam sob a ameaça da obesidade, que já é considerada no Brasil um problema de saúde pública.

E as consequências chegam cada vez mais cedo: diabetes, aumento do colesterol, doenças cardiovasculares, problemas respiratórios e ortopédicos.

Este é um problema que todos podemos ajudar a resolver. Orientação e informação são os melhores instrumentos. Desde as compras, você pode permitir que a criança participe nas decisões daquilo que ela vai comer. Peça ajuda aos seus filhos, meninos e meninas, para preparar os alimentos. Ouça as sugestões deles, aproveite para estimular a criatividade na elaboração de pratos atrativos e gostosos. Ensine, para que eles tenham uma vida plena e saudável.

Controle a ingestão de guloseimas como doces, balas, biscoitos recheados e frituras. Valorize os lanches saudáveis como salada de frutas com granola, sucos de frutas, barras de cereal, balas de banana sem adição de açúcar, frutas liofilizadas e crocantes, cookies de cacau e até mesmo, um chocolate com pelo menos 70% de cacau.

Eis as guloseimas saudáveis encontradas no Mundo Verde:

Chocolate - com cacau orgânico sem lactose e sem açúcar
Brownie de chocolate de soja - sem lactose e sem glúten
Snacks integrais - feitos à base de milho ou soja são assados, crocantes e ricos em fibras.
ChocoSoy Pops - flocos de arroz com cobertura de chocolate sem lactose
Paçoca de soja - zero açúcar
Bolinho de soja com recheio sabor chocolate - fonte de fibras e Ômega 3
Barra de frutas - uma barra totalmente natural, sem aditivo artificial, feita com frutas e castanhas
Frutas secas (desidratadas e liofilizadas) - sem conservantes e sem adição de açúcar
Barra de gergelim - barra crocante feita com gergelim
Mel em sachê - porções individuais de mel, práticas e saudáveis
Sucos de fruta orgânicos - sucos de goiaba, laranja, maracujá feitos com fruta orgânica e sem adição de açúcar
Cookies integrais - diversos sabores: cebola, maçã e canela, gotas de chocolate
Bala de banana - balas feitas com fruta e sem adição de açúcar
Balas de algas marinhas - balas mastigáveis à base de gelatina de algas marinhas e suco de frutas
Muffins de laranja, chocolate e banana - muffins orgânicos e ricos em fibras
Pipoca de milho de canjica - com sal marinho ou açúcar orgânico
Barras de arroz carameladas - feitas com arroz integral e açúcar orgânico
Doce de leite à base de soja - isento de lactose

Texto: Isabel Antunes Joffe - fundadora da rede Mundo Verde.


QUER SABER MAIS?

Livros e sites podem ajudar a encontrar boas estratégias para oferecer uma alimentação saudável à sua família. Eis aqui algumas sugestões:

•  Aqui no site do Mundo Verde você encontra receitas saudáveis, dicas e informações. Você pode, ainda, aproveitar o Alô Nutricionista para tirar suas dúvidas.

Alô Nutricionista: 0800 022 25 28.

•  O livro de Sonia Hirsch, Mamãe eu quero. Guia prático de alimentação para crianças de todas as idades, publicado pela editora Corre Cotia. Você pode encontrar informações sobre este e outros livros de Sonia Hirsch no site www.correcotia.com.br

•  Pat Feldman é culinarista e criadora do Projeto Crianças na Cozinha, que visa à divulgação de receitas para crianças, com as características de serem saudáveis, saborosas e livres de industrializados. Site: www.pat.feldman.com.br

•  Outra publicação interessante é o livro A verdade sobre a comida, de Jill Fullertin-Smith, Editora Intrínseca, Rio de Janeiro.

•  Na Revista Nutrição, Saúde & Performance, ano 7, edição 34, o artigo de C. Juzwiak, "A importância dos alimentos funcionais na alimentação da criança", é uma fonte bastante útil para quem deseja se aprofundar



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